João Vário

Há muito passado no estar aqui com o tempo.
Fim e reconhecimento, e não sofrendo mais do que o tempo concede
fim de novo e reconhecimento de novo,
e tudo é crime, ou crime sempre, crime ou crime,
criminosissimamente crime,
quando arriscamos a intensidade, comemorando.
Aumento e festa, ou cilício, e tempo de cair e tempo de seguir,
Tempo de mal cair e tempo de mal seguir,
oh amamos tanto, amamos tanto estar aqui com o tempo
e sabendo que há nisso pouco passado.
Porque maiores que os desígnios da vida
são os desígnios da medida e, divididos
em dois por eles, com eles indo, se por eles
ganhamos o tempo, pedimos a forma mais fácil
de indagar que vamos morrer e, um dia, se
o tempo for deles e a memória, de outros,
havemos de ser úteis como mortos há muito,
sem que a causa, o delírio, a designação,
o julgamento nossa medida abandonem,
dividida em duas por eles, e ganhando constância.

Depois, depois faremos ou fará o tempo, por sua vez,
aquele blasfemíssimo comentário,
E então consta que amámos.

2 comentários:

Rasteiro disse...

Um grande poeta de língua portuguesa que urge "mostrar" ao grande público.

Pablo disse...

E vai sair do forno já já para a próxima edição da Confraria. Um peso-pesado, certamente.

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