Porque é ontem que eu quero morrer

Mais um texto co-movido pela bebida pós-bairro alto:
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E um dia chega o dia de nossa morte. E pode ter sido ontem. Um dia, chega o momento onde sem saber temos que nos jogar nesse rio em frente e torcer que seja uma morte honrada, que o rio não seja tão sujo quanto dizem. Que o corpo inche com a pressão das águas, mas que tenha a impureza das algas e dos peixes e não a pureza da cidade. Um dia vem um sonho e diz: acabou! E passamos a ser parte de um sonho em si: sonho sem sonhador. Quando esse dia chegar – e ele chegará – a pedra nos apedrejará por dentro da pedra. Estaremos rente e reto com a possibilidade do desconhecido e seremos livres. Um dia – pode ter sido ontem – morremos por amor: amor a vida. Morreremos porque vida e morte sonham-se; porque o tempo é suficientemente precioso para durar para sempre; porque não nos resta mais nada a não ser o Nada. É nesse rio que vou me afogar – pode ter sido ontem – e é nele que algum peixe, em sua sabedoria de cardume, encontrará comida para não morrer ainda. Um dia – e foi ontem – entenderemos que a porra desse rio nada mais é que a parte de nós que fazia falta. Então seremos um só – e isso foi ontem.

6 comentários:

Fábio Romeiro Gullo disse...

belo texto, Márcio. P benefício das letras vc deveria tomar um porre todos os dias :-)

grande abraço

Márcio-André disse...

Bem, isso seria uma boa desculpa :D

Francisco Norega disse...

fantástico, márcio! adorei ler ;)

Fábio Romeiro Gullo disse...

Bem, se precisar de um "colaborador", conheço um lugar em Santos q serve as melhores caipirinhas do estado, garantido. E abre todos os dias :-)

perdido no escuro disse...

Lendo-te aqui de longe. E gostando.
Abraço.

Márcio-André disse...

Valeu, meu caro joãozito. Estou com saudade de vc e Zsófia. Como vcs estão? Mandem notícias. Tenho visto lá o seu blog tb. abraços

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