Salmo (Paul Celan)
sábado, dezembro 29, 2007 Postado por Márcio-André
Ninguém nos fará de novo pedra
de terra e argila
ninguém soprará palavra sobre
nossa poeira.
Ninguém.
Louvado sejas-tu, Ninguém.
É pra te agradar que queremos
florescer.
A teu
encontro.
Um Nada.
eis o que fomos, somos e
seremos ainda, florescentes:
a Rosa do Nada, a
Rosa-de-Ninguém.
Como estilo, luminoso d’alma
a coroa rubra
da palavra púrpura que cantávamos
acima, ó acima
da espinha.
Tradução de Maria Clara Carneiro
de terra e argila
ninguém soprará palavra sobre
nossa poeira.
Ninguém.
Louvado sejas-tu, Ninguém.
É pra te agradar que queremos
florescer.
A teu
encontro.
Um Nada.
eis o que fomos, somos e
seremos ainda, florescentes:
a Rosa do Nada, a
Rosa-de-Ninguém.
Como estilo, luminoso d’alma
a coroa rubra
da palavra púrpura que cantávamos
acima, ó acima
da espinha.
Tradução de Maria Clara Carneiro
Três poemas curtos de Vadel
quarta-feira, dezembro 26, 2007 Postado por Márcio-André

Simples e claras
entre minhas pernas entre minhas mãos
minhas coisas
que profundamente eu chamo
as pequenas
fotografadas sob um cachorro
***
Esta tarde
Muito curto momento
eu ainda tive um cachorro em vista
eu então pensei em tuas coisas profundas
***
vista por detrás
a longa ameaça das rendas
que recobrem a clava vermelha
obriga meu dedo próprio
a perfeição da verdura
Tradução de Márcio-André
entre minhas pernas entre minhas mãos
minhas coisas
que profundamente eu chamo
as pequenas
fotografadas sob um cachorro
***
Esta tarde
Muito curto momento
eu ainda tive um cachorro em vista
eu então pensei em tuas coisas profundas
***
vista por detrás
a longa ameaça das rendas
que recobrem a clava vermelha
obriga meu dedo próprio
a perfeição da verdura
Tradução de Márcio-André
Mandrágora
domingo, dezembro 23, 2007 Postado por Márcio-André
Na margem interior da fronteira, que outros preferem chamar beco sem saída, - B. matou-se.
Claro que todas as fronteiras são mentais, e no caso de B. melhor seria falar de duas.
De modo que B. se matou entre a margem interior e a crista de um pensamento que já não se desviava dele.
Para capultar-se, tomou aquelas raízes de um alcalóide que tinha classificado, e, lançando-se sobre a enxerga de troços fusiformes, encontrou por fim o que buscava: rua de uma só direcção em que todos os números estão apagados, e os brancos pedúnculos mentais desvanecem-se numa matéria de sonho.
Pedro Marqués de Armas
(Tradução de Jorge Melícias)
Claro que todas as fronteiras são mentais, e no caso de B. melhor seria falar de duas.
De modo que B. se matou entre a margem interior e a crista de um pensamento que já não se desviava dele.
Para capultar-se, tomou aquelas raízes de um alcalóide que tinha classificado, e, lançando-se sobre a enxerga de troços fusiformes, encontrou por fim o que buscava: rua de uma só direcção em que todos os números estão apagados, e os brancos pedúnculos mentais desvanecem-se numa matéria de sonho.
Pedro Marqués de Armas
(Tradução de Jorge Melícias)
Corpos-letrados, corpos viajantes e O Óbvio dos sábios
sábado, dezembro 22, 2007 Postado por Márcio-André
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