Buenos Aires

foto de Andréa Del Fuego

Salmo (Paul Celan)

Ninguém nos fará de novo pedra
de terra e argila
ninguém soprará palavra sobre
nossa poeira.
Ninguém.

Louvado sejas-tu, Ninguém.
É pra te agradar que queremos
florescer.
A teu
encontro.

Um Nada.
eis o que fomos, somos e
seremos ainda, florescentes:
a Rosa do Nada, a
Rosa-de-Ninguém.

Como estilo, luminoso d’alma
a coroa rubra
da palavra púrpura que cantávamos
acima, ó acima
da espinha.

Tradução de Maria Clara Carneiro

Lançamento de um livro qualquer no Rio


Às 8 da noite, todos já queriam estar em casa, vendo novela.

Três poemas curtos de Vadel


Simples e claras
entre minhas pernas entre minhas mãos
minhas coisas
que profundamente eu chamo
as pequenas
fotografadas sob um cachorro

***

Esta tarde
Muito curto momento
eu ainda tive um cachorro em vista
eu então pensei em tuas coisas profundas

***

vista por detrás
a longa ameaça das rendas
que recobrem a clava vermelha
obriga meu dedo próprio
a perfeição da verdura


Tradução de Márcio-André

Casas doentes

Manuel Sendón

Mandrágora

Na margem interior da fronteira, que outros preferem chamar beco sem saída, - B. matou-se.

Claro que todas as fronteiras são mentais, e no caso de B. melhor seria falar de duas.

De modo que B. se matou entre a margem interior e a crista de um pensamento que já não se desviava dele.

Para capultar-se, tomou aquelas raízes de um alcalóide que tinha classificado, e, lançando-se sobre a enxerga de troços fusiformes, encontrou por fim o que buscava: rua de uma só direcção em que todos os números estão apagados, e os brancos pedúnculos mentais desvanecem-se numa matéria de sonho.

Pedro Marqués de Armas
(Tradução de Jorge Melícias)

Corpos-letrados, corpos viajantes e O Óbvio dos sábios









LinkWithin

Related Posts with Thumbnails